Reforma Protestante
RESUMO DA REFORMA PROTESTANTE
No dia 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero fixou nas portas da Catedral de Wittenberg, na Alemanha, 95 teses contra a venda de indulgências e outras práticas da Igreja.
Esta data marca o início da Reforma Protestante e de um novo momento na história da humanidade, exercendo grande influência em muitas áreas. Ela atingiu todos os aspectos da vida humana, alcançando transformações políticas, econômicas, religiosas, morais, filosóficas, literárias e instituições em geral.
Dentre os motivos mais comuns que provocaram o surgimento da Reforma Protestante está a decadência moral da Igreja Católica no final da Idade Média. É fato que grande número de clérigos vivia de maneira escandalosa para a época, sustentando esposas e filhos. Muitos padres não tinham preparo algum para exercer o cargo; alguns não tinham nenhum conhecimento de latim. Os abusos às regras e as exceções criadas pela Igreja eram as mais variadas e escandalizavam a maioria dos fiéis.
Acredita-se que o papa Leão X fruía de renda anual de mais de um milhão de dólares, resultante da venda de mais de mil cargos eclesiásticos e a venda de dispensas, que dava a isenção de qualquer lei da igreja ou de qualquer voto feito anteriormente.
O movimento da Reforma não ocorreu repentinamente. O movimento teve seus precursores em vários pontos da Europa. No fim do século XIV, um professor da Universidade de Oxford chamado John Wycliff já lançava ataques à Igreja, condenando a venda de indulgências, a ingerência da Igreja em assuntos temporais e negando vários dogmas da igreja, como a transubstanciação do pão e do vinho na missa. Wycliff traduziu a Bíblia para o inglês e a colocou à disposição dos fiéis ingleses. As críticas de Wycliff foram disseminadas, chegando ao continente europeu, onde Johan Huss deu sequência às críticas. Huss, como professor na universidade de Praga continuou as críticas e foi queimado na fogueira em 1415 como herege, mas suas idéias ganharam muitos adeptos.
Este evento acadêmico da “Semana da Cultura Gospel” em Celebração aos 500 Anos da Reforma Protestante do século XVI, tem como objetivo trazer a luz sobre os assuntos abaixo:
Reforma e Economia
A Reforma Protestante foi um movimento de caráter religioso que marcou a passagem do mundo medieval para o moderno. Um dos fatores de grande relevância que assinalaram esse período de transformações podemos destacar o novo contexto econômico do período. No ambiente das cidades, os comerciantes burgueses eram malvistos pela Igreja. Segundo os clérigos, a prática da usura (empréstimo de dinheiro a juro) feria o sagrado controle que Deus tinha sobre o tempo. Também, a própria crise econômica feudal também instigou a população a questionar os dogmas impostos pela Igreja.
Reforma e Educação
Na educação, os impactos foram determinantes. Na Idade Média, a igreja era a única responsável pela organização e manutenção da educação escolar. A partir do século XVI, surgiram as nações-estados, que se opuseram ao poderio universal do papa e formou-se a classe média, com perspectivas diferentes na Educação. Da tradição reformada surgiram grandes universidades como: Zurique, Estrasburgo, Genebra, Edimburgo, Amsterdã, Harvard, Yale, Princeton e muitas outras.
Reforma e Religião
Já no século XII apareceram os primeiros movimentos que questionavam as crenças e práticas do catolicismo. Entre outras manifestações, podemos destacar o papel exercido pelos cátaros, originários da região sul da França. Naquela região as distinções culturais históricas propiciaram a ascendência de uma fé cristã à parte dos ditames da Igreja Católica. Realizando uma leitura própria do texto, os cátaros tinham valores morais bastante rígidos que se contrastava com o comportamento dos líderes clericais.
No século posterior, vendo a grande presença do movimento religioso, o papa Inocêncio III ordenou a realização de uma cruzada que – entre 1209 e 1229 – aniquilou o movimento cátaro. Além disso, as acusações de feitiçaria eram bastante corriqueiras entre indivíduos considerados suspeitos ou infiéis. Já na Idade Média, a Igreja criou o Tribunal da Santa Inquisição que percorria diversas regiões da Europa, reprimindo aqueles que ameaçassem seu poderio religioso e ideológico.
Alguns princípios estiveram sempre presentes nas discussões religiosas e polêmicas dos reformados: a) Supremacia das Escrituras sobre a tradição; b) A supremacia da fé sobre as obras; c) A supremacia do povo sobre o sacerdócio exclusivo.
Reforma e Política
Surgem as nações-estados. A Europa fragmentou em países independentes politicamente uns dos outros. Surgem países como a Inglaterra, França, Espanha, Portugal, etc. Com isso é natural o desejo de cada governante de sentir-se livre de um poder central e dominador que era o papado.
Os clérigos estavam muito mais próximos das questões materiais envolvendo o poder político e a posse de terras, do que preocupados com as mazelas sofridas pela população camponesa.
Reforma e a Bíblia
Jan Huss (1370 – 1415) foi um padre que se preocupou em traduzir o texto bíblico em outras línguas e denunciou o comportamento dos clérigos católicos. A pregação por ele empreendida, ao longo da Boêmia, motivou a violenta reação das autoridades do Sacro-Império Germânico que ordenaram sua morte pela fogueira. A morte de Huss deu origem a um movimento popular conhecido como hussismo. A grande maioria de seus integrantes era de camponeses pobres insatisfeitos com sua condição de vida.
Reforma e a Música
“Os reformadores se movimentavam entre o secular e o sagrado na área da música como esferas legítimas e divinamente ordenadas, mas não confundiam as duas. O teólogo Teodoro de Beza (1519-1605) por exemplo, escreveu a primeira tragédia francesa além de escrever tomos teológicos. O próprio João Calvino encorajou o desenvolvimento de sociedades musicais na comunidade”.
Mais Reformadores
Philipp Melanchthon exortava professores a exercerem a vocação escolar no mesmo espírito que exerceriam o serviço de Deus na igreja.
John Knox em 1560 conclamava por um sistema nacional de educação pública para a Escócia.
Erasmo de Rotherdan que influenciou os reformadores com o seu Novo Testamento Grego.
(texto Resumo da Reforma por Tiago Escobar de Azevedo)